quinta-feira, 16 de maio de 2013

Como eu achava que o mundo girava




Quando somos crianças temos uma visão diferente das coisas. Eu tinha uma visão diferente sobre profissões. Na minha cabeça a pessoa que era comunicativa e gostava de vender abria sua própria loja. A moça que queria ser modelo, simplesmente comia alimentos saudáveis e trabalhava. O moço que queria ver a cidade limpa, simplesmente fazia porque gostava. No meu inocente mundo as coisas funcionavam dessa forma.


Eu cresci e eu sempre gostei de música e achei que era normal eu parar de estudar no ensino médio para estudar música, afinal, era o que eu queria fazer. Isso foi vetado. No futuro quis trabalhar em uma loja de discos e um dia ter a minha própria loja, mas enfrentei vários “nãos” e a maioria das “justificativas” era porque eu era mulher. Isso faz tempo, claro. Eu tinha dezesseis anos.


Eu trabalhei em uma empresa grande que vendia óculos, a marca tinha um marketing legal e como eu era simpática e gostava de falar com as pessoas me candidatei, fui promovida e mais tarde me desliguei pra sempre desse mundo... Simplesmente por ser o oposto do que eu pensava que era. Acordávamos para atender bem as pessoas, claro, mas o foco era ganhar dinheiro, ou melhor, fazer meu chefe ganhar dinheiro. O que vendíamos em um dia, não ganhávamos durante o mês.


Quando passei no vestibular automaticamente sabia o que queria. Até escutar discursos gigantescos sobre o quanto era importante eu me formar e que eu tinha talento e me daria bem escrevendo.


“Se dar bem” numa tradução livre = ganhar dinheiro. Dinheiro é bom? Pode até ser, sem ele não compro meus livros e meus cd’s, mas acho que minha vida não deve girar em torno dele. Talvez eu me sinta um pouco estranha porque a maneira como vejo o mundo girar quando era criança é a mesma forma que eu gostaria de ver hoje, quando adulta.


O dinheiro já me trouxe prazeres passageiros, mas atualmente quando estou triste não vou lá naquele quadrado repleto de luzes artificiais com seus escravos [agora de todas as cores] chamado shopping e me entulhar de coisas que não preciso.


Ainda vejo as coisas assim: com mais amor e não deixo que o marketing me afete quando apela para um lado mais emocional tentando me vender algo que não preciso.


P.S.: Isso foi um desabafo.


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