Estava circulando pelas páginas feministas que curto até me deparar com uma escola de princesa que foi aberta. Segundo o texto as meninas eram ensinadas a se "comportar" (numa tradução livre: "comportar" = submissão). Me questiono sobre o mundo em que vivemos, onde temos que lutar por "direitos". Pelo direito de amar alguém do mesmo sexo, pelo direito de um país mais justo, pelo direito de termos os mesmos direitos que os homens. Quem tirou nossos direitos?
Em casa tive a sorte de ter os melhores educadores do mundo: meus pais me deixavam livre nas lojas de brinquedos e eu sempre comprei carros, até que um dia com 3 anos de idade, meu tio me deu a minha primeira Barbie e os meus brinquedos ficaram mistos. Quando pedi um skate com 12 anos, não houve preconceito por parte dos meus pais, nem quando entrei no basquete aos 14. Claro, muitas vezes minha mãe dava opiniões nas minhas roupas, mas atualmente uso o que gosto (porque segundo minha filosofia de vida: roupa é apenas um pedaço de pano!).
Claro, nem tudo são rosas. Meninas geralmente são obrigadas a dar "oi" para estranhos, a sentar no colo de estranhos e eu não escapei disso.
A questão é: por quanto tempo ainda teremos que aguentar tanta ignorância?
Para quem diz que as mulheres têm os mesmos direitos, eu rebato: Não, não temos.
Se dormimos no primeiro encontro somos tachadas de vagabundas, se usamos roupas curtas somos vulgares. Chega de tanta idiotice. Homens também dormem no primeiro encontro. Homens andam SEM camisa na rua. Não somos diferentes de vocês.
Existem mulheres machistas também, que fazem questão de vomitar (sim, vomitar!) aquele tipo de comentário quando vê uma notícia de estupro: "Ah, mas ela estava de roupa curta, é óbvio que estava pedindo."
Moçx, ninguém pede para ser estuprada. Abra os seus olhos.
Não dá pra aguentar pessoas que dizem: "Isso é coisa de mulher", "Mulher não é amiga de mulher", "Nossa, esse aí joga bola que nem mulher", "Mulher não sabe dirigir."
Não dá para aguentar as "cantadas" nojentas na rua, as besteiras que escutamos e que são tachadas de "brincadeira". Representando minha indignação (e de muitas): "BRINCADEIRA É O CACETE!".
Não dá pra aguentar quando escutamos de algum parente mais velho: "Ah, mas tem que saber cozinhar, senão o homem larga." Eis a minha resposta: "Me divirto muito na cozinha, mas em dupla!".
E essa "escola de princesa" ensina a mulher a ser submissa. Todas sabemos que tarefas domésticas são uma verdadeira chatice, mas dividi-las com alguém que gostamos se transforma em algo divertido. Em uma relação não existe um que manda e outro que obedece, tudo pode ser compartilhado numa boa.
Esse texto é mais uma daquelas tantas bolas-de-neve, alguns dirão que é besteira (o meu mais sincero "foda-se" para vocês) e muitxs se identificarão. Não é meu desabafo mais completo sobre o tema, mas todo desabafo é sempre válido, porque falar de feminismo nunca é demais.

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